Eu estava levando muita bagagem pro Brasil, e acabei confiando no dono do backpacker Mbizi ao deixar minhas 2 malas gigantes no dormitório enquanto estaria fora por 3 dias, fazendo safari.
Fazer safari a partir de Johanesburgo por somente 3 dias significa que somente o segundo dia vai ser inteiro no safari. A viagem demora 5 horas, e não tem quase nada de interessante na estrada. Chega a ser chato, apesar de termos visto pessoas vendendo artesanato, uma cachoeira em meio a montanhas bonitas, e alguns macacos na estrada lá perto do Kruger.
Ao chegarmos no parque, nosso primeiro animal estava ao lado da entrada onde esperávamos o carro para o safari "noturno", uma girafa! O safari noturno não foi assim bem noturno, foi no fim da tarde, e voltamos antes de escurecer. Vimos também zebras, veados, e um rinoceronte que veio pela estrada bem perto do carro.
Fomos levados as Treehouses (casas nas árvores), onde nos hospedariamos. Junto, estava um norte-americano que mora perto de New York. O cara só parou de comentar o quanto Beverly Hills é mais seguro que a África quando o motorista alcançou 150km/h numa estrada escura durante chuva com raios! Eu já não sabia se sobreviviria àquela viagem!
Na Marc's Treehouse, fomos jantar, e na entrada do restaurante havia um veado fugindo da chuva, além de besouros gigantes que incomodaram um pouco. Muitos europeus estavam por lá já a alguns dias. No quarto, descobri que não estaria sozinho, teria que dividir com um rato do mato!
Na manhã seguinte descobri que não era somente um, mas um casal de ratos fazia barulho a noite, além de deparar com mais besouros e uma aranha. Ao sair do quarto deparei com um desses animais tipo veado, que atrai leão, a poucos metros do meu chalet.
O café da manhã, assim como o jantar do dia anterior, foram ótimos, com a Florence fazendo serviço 5 estrelas. Eu comentei isso com ela, e ela disse "se eu fosse branca já estaria rica", mas não quis discutir mais o assunto.
O segundo dia foi inteiro no Kruger. Eu não tinha certeza se queria ver leões atacando os outros animais, mas o resto do grupo queria. Eles estavam no terceiro dia de safari, já achando tudo repetitivo e monótono.
O guia disse que demos sorte por termos visto quatro dos seis maiores pássaros do Kruger. Nada de mais emocionante aconteceu, mas foi lindo ver os animais tão de perto.
A gente vê muito mais, mas minhas fotos estão ruins. Dos Big Five só não vimos o leopardo, que é considerado difícil de achar.
O terceiro e último dia no Kruger começou com uma caminhada as 6 da manhã. O guia armado parecia só coisa pra turista achar legal, mas vai vendo... Logo achamos um cocozão fresquinho, o que significava que o perigo estava por perto. Depois de passar por árvore com folhas afrodisíacas, plantas que eles usavam como escova de dentes, folhas que usavam como papel higiênico, e etc, achamos os perigosos búfalos, que começaram a andar na nossa direção, forçando o grupo a deixar a trilha. O guia encarou o búfalo, que parou antes de correr o risco de tomar um tiro.
O búfalo é o animal que mais mata caçador. O guia que nos acompanhou no dia anterior contou que seu avô foi morto numa caçada a búfalos. Eles se fingem de mortos, e sabem atacar os caçadores por trás.
Vimos um besouro que é considerado um dos animais mais fortes do mundo, pois ele consegue empurrar objetos que pesam 300 vezes mais que seu próprio corpo. Este besouro fica girando o cocô arredondado da girafa, com a fêmea grudada no cocô curtindo a aventura, até endurecer a camada externa do cocô, e então colocam os ovos dentro dele.
Seguem mais algumas fotos do Marc's Treehouse.
Fotos da volta.
Valeu a pena ter confiado no Patrick do Mbizi Backpacker, pois minha bagagem estava lá intacta.
Amanhã a aventura começa as 6 da manhã, sentido Cape Town. São duas horas de vôo. Por falta de tempo para pesquisar, ainda não sei bem o que vou encontrar por lá, além da Montanha da Mesa.